Explore os mesmos lugares que Vasco da Gama

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A persistente fama de Vasco da Gama resulta do fato de, em 1497, ele ter aberto uma rota marítima antes considerada impossível. De Lisboa ele navegou até a Índia via África, destruindo a crença generalizada de que o Índico não estava ligado a nenhum outro oceano.

Mas, além de descobrir uma nova rota, sua missão era levar Portugal a dominar o comércio de especiarias no Oriente e a estabelecer aquela pequena nação como uma superpotência global. A esquadra de Vasco contornou o cabo da Boa Esperança, no sul da África, e subiu a costa leste do continente até atracar em Calicute na Índia, em 1498.

Um ano depois, com a maior parte da tripulação morta, o navegador voltou a Portugal, depois de estabelecer entrepostos comerciais na Índia e na África Oriental. Em 1502, ele zarpou novamente para a Índia, dessa vez com vinte naus, para combater mercadores árabes que não queriam se aliar a ele e para estabelecer uma presença militar em Calicute e Goa.

Ao regressar a Portugal, trazendo mais riquezas e poderio ultramarinos, ele foi festejado pelo rei e já estava prestes a se tornar uma figura lendária em sua pátria. Em 1524, foi nomeado vice-rei da Índia, onde morreu de malária no mesmo ano.

A ironia de cultuar Vasco como um herói é que na verdade ele era cruel e insensível, decidido a esmagar com o máximo de selvageria qualquer um que se pusesse no seu caminho.

Os casos que ilustram o seu comportamento sanguinário estão por todos os lados se você procurar, e  nenhum é mais terrível do que o do pobre espião brâmane que, capturado, teve os lábios e as orelhas arrancados e foi devolvido ao seu povo com orelhas de cão costuradas na cabeça, de modo que sua abjeta aparência servisse de alerta para que ninguém mexesse com o grande e bom Vasco da Gama. A Era dos Descobrimentos foi alicerçada, fundamentos de crueldade e violência.