Uma inesquecível experiência com um belo conversível italiano de tração traseira

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Ao contrário da maioria dos carros experimentados com o objetivo de produzir matérias para a revista Quatro Rodas, dirigi o Alfa Romeo Spider 2000 Veloce por motivação pessoal. Foi em uma fase em que cismei ter um clássico para chamar de meu. Depois de muito procurar, encontrei um Veloce 1974 vermelho no lugar em que menos esperava: o bairro onde moro.

O vendedor morava a cerca de 1 km de minha casa. Acho que escolhi ter um Alfa porque essa marca sempre esteve próxima de num, dos carrinhos de brinquedo às conversas de família – para meus pais e tios, um Alfa Romeo era sinônimo de distinção. Não, meus parentes não são italianos. São portugueses. O carro do meu sogro, que levou minha esposa à igreja e depois o casal para a festa, era um Alfa Romeo, modelo 164 32V.

Lembro que a certa altura do caminho meu sogro, que estava ao volante, pisou fundo para me mostrar como o carro era ágil nas retomadas. Sim, os parentes do meu sogro são italianos.

Como jornalista especializado, a primeira fábrica de automóveis que visitei foi a da Alfa Romeo, em Arese, na Itália (unidade que foi desativada em 2005). A experiência foi inesquecível. Quando cheguei, havia uma bandeira do Brasil hasteada em frente do prédio, parara me dar as boas vindas.

Depois de ver uma parte da linha de montagem, fui conhecer o departamento de design, onde tive a oportunidade de falar com o projetista Walter de Silva, que na época era o responsável pelo estilo da marca – é de sua autoria aquela geração de beldades dos anos 1990, como os Alfa 145, 156 e 166 (que também dirigi).

Tivemos uma longa e apaixonada conversa sobre design e indústria automobilística. Naquela época, eu nem pensava em ter um clássico, mas já gostava do Spider e, quando disse que era fâ desse modelo, Silva, que hoje é o chefe de design do Grupo VW, me levou a uma outra sala. Ali encontramos um Gíulietta Spider branco impecavelmente conservado, que ele disse ser seu Alfa Romeo preferido.

O Spider 2000 Veloce, que foi fabricado entre 1971 e 1977 (versão Europa), é derivado do Spider 1600 Duetto, lançado em 1966, que ficou famoso depois de roubar a cena no filme A primeira noite um homem (“The Graduate”, em inglês; “II Laureato”, em italiano), com Dustín Hoffman no papel principal (para mim, o protagonista é o carro). A diferença entre o 2000 e o Duetto está na traseira. O 2000 tem Unhas retas, com cantos vivos, enquanto o Duetto é arredondado como uma pequena embarcação.

Aerodinamicamente, o Duetto é melhor. No 2000 há maior refluxo de ar na traseira e, com isso, tendência a consumir mais combustível e a possibilidade de os gases de escapamento invadirem a cabine, quando o carro está com o teto aberto. Do ponto de vista estético, porém, o 2000, chamado pelos italianos de “Coda Tronca” (algo como “cauda cortada”), ficou mais moderno e esportivo. No interior, o painel do 2000, revestido de curvün e com console integrado, também era novo. O do Duetto, de ferro da cor da carroceira, tem estilo mais clássico – embora os painéis coloridos sejam uma tendência que está de volta em alguns segmentos do mercado atual.

Ao longo de sua existência, o “Coda Tronca” teve motores 1.3 (1290 cm3), 1.8 (1779 cm1) e 2.0 (1 962 cm1) e passou por duas reestilizaçòes, em 1983 (Série III) e 1990 (Série IV), até a chovida de uma nova geração, em 1995, que mudou radicalmente o visual dos Spicier da marca. Assim como Porsche 911, VW Golf, Land Rever Range Rover e Mini Cooper. no entanto, tenho a impressão de que o estilo proposto pelo Duetto poderia se manter por gerações a fio sem perder o charme.