Navegue pelo rio mais longo do mundo

O Nilo é mais do que a força vital do Egito. Ele é o Egito. Sem suas cheias generosas essa nação desértica não poderia existir, e embora cubra somente 4% da superfície do país, o Vale do Nilo abriga 95% da população egípcia.

O rio era também, até o aparecimento recente das estradas, a via mais fácil para o transporte de bens e notícias no pais. Por isso, a maioria dos principais edifícios do Egito — das pirâmides ao Templo de Karnak — se alinha ao longo dele.

No Nilo, o tráfego de embarcações, de tradicionais esquifes de papiro a barcos de carga de velas latinas, sempre foi intenso; há uma barcaça, parte das provisões funerárias do faraó Khufu, em exibição em Gizé. Na Idade Média estimava-se que cerca de 36 mil barcos trafegassem pelo rio.

É claro, o Nilo não é só Egito. Trata-se do rio mais extenso do mundo: seu maior tentáculo, o Nilo Branco, nasce no interior da África, a 6.680 km da foz no Mediterrâneo — não há consenso quanto à localização, mas é nas proximidades do lago Vitória.

Vindo da Etiópia, a 1.450 km, o Nilo Azul se junta a ele em Cartum. Mas é no Egito que suas águas mais se infiltraram no imaginário nacional.

Acredita-se que ele separe a terra dos vivos (o leste) da terra dos mortos (o oeste); na egiptologia abundam criaturas aquáticas (crocodilos, íbis, hipopótamos, rãs); e o deus egípcio do Sol, Ra, nele se locomove de barco.

Os grand touristas do século XIX davam preferência a dahabiyyas (barcos-casa) em suas viagens. Essas elegantes barcaças a vela ofereciam castiçais e chás da tarde aos privilegiados.

O advento dos primeiros barcos a vapor no Egito na década de 1850 — e um tal Thomas Cook em 1869 — abriu o turismo no rio para as massas.

Hoje é mais comum os barcos transportarem turistas com máquinas fotográficas do que fardos de algodão. Mas velejar no Nilo ainda dá a sensação de voltar no tempo, para uma época em que nada superava o rio em importância.