Siga os passos de um dos maiores nômades da história

Chamar Abu Abdullah Muhammad Ibn Battuta de “Marco Polo islâmico” seria um insulto… para Battuta. Durante três décadas, a partir dos 21 anos, em 1325, ele percorreu uma rota circular do seu Marrocos natal até Meca, seguindo pelos atuais Tunísia e Egito, atravessando o mar Vermelho para chegar ao Oriente Médio e então cruzando a península arábica em caravanas.

Em 1326, ele viajou por Iraque e Pérsia, antes de retornar para a Arábia Saudita e descer para a Somália e o golfo de Aden. Quando da sua chegada a Mogadício, em 1331, a cidade vivia o seu momento mais próspero, cheia de ricos mercadores que exportavam os refinados tecidos somalis para a Arábia.

Battuta pegou um dhow e velejou até Mombaça (então um assentamento modesto, mas que um século mais tarde se tornaria um porto importante), e de lá continuou para o sul, seguindo a costa até a cidade insular de Kilwa, na atual Tanzânia.

Quando Battuta esteve por lá, era um centro vital no comércio de ouro, e no seu épico relato de viagem, o Rihla, ele a descreve como “uma das cidades mais bonitas e bem construídas do mundo’: Quando a estação das monções chegou, ele voltou velejando para a Arábia e novamente visitou Meca, antes de se aventurar pelo Império Bizantino.

Passou um tempo em Constantinopla (atual Istambul), para em seguida ir rumo à Ásia Central, passando por Afeganistão e Índia e chegando à China e ao Sudeste Asiático.

Em 1346, voltou ao Marrocos, esteve na Síria, na Palestina e na Arábia, e testemunhou a peste negra grassando na região. Após percorrer grande parte do mundo, ele finalmente se dedicou a explorar o Marrocos, em 1350, antes de se juntar a uma caravana que viajou de camelo ao Mali e à cidade de Tombuctu, que logo mais conheceria seu apogeu.

Passou oito meses lá e voltou em 1354 ao Marrocos, numa caravana que levava seiscentas escravas da África Subsaariana. Após ditar o seu tão famoso e debatido tomo, morreu como juiz no Marrocos, em 1369.